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Contra a maré

O blogue de alguém que se cansou de lutar contra quem é, de alguém que depois cansou-se de lutar contra o mundo e que agora apenas deambula num mundo imperfeito á procura de respostas

O blogue de alguém que se cansou de lutar contra quem é, de alguém que depois cansou-se de lutar contra o mundo e que agora apenas deambula num mundo imperfeito á procura de respostas

Contra a maré

29
Jul25

Finais

Carina Martins

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Eu nunca mais quero ter um cão, e a resposta é: porque eu amo demais, e isso não seria um problema num mundo ás direitas, mas neste mundo, isso é um problema, sem sombra de duvidas.

Sei que a vida ainda vai reservar-me muita dor, e ultimamente, ando tão triste que sei que o meu blog torna-me intragável, mas esta é a unica forma que eu tenho de colocar tudo cá para fora.

Estava a dizer que sei que a vida ainda vai reservar-me muitas dores, mas eu estou cansada, já passei por demais, por mais cliché que isso possa soar. 

Não conto mais a minha história, não assim, toda despejada em meia duzia de parágrafos, ninguém iria acreditar, ás vezes nem eu acredito que estou aqui viva par a contar, mas de tudo o que passei, eu era feliz, eu era incrivelmente feliz se os animais e o sofrimento delas não fizessem parte disso, eu passava  por tudo, absolutamente tudo outra vez, se eu pudesse retirar todas as dores que já sofri por tentar remediar a maldade humana com os animais.

Quando era criança tinha um pastor alemão em Angola, que foi morto a tiros por rebeldes, porque sim, porque lhes apeteceu, mas desse anjo eu não tenho memória, talvez eu tenha ficado inconscientemente com ele na minha cabeça, porque existiu o Simba anos depois.

Mas antes do Simba há os gatos, e vou ser sincera, eu sou uma pessoa que adora todos os animais, todos, sem tirar nem por, e amei todos os gatos que tive, mas os cães são diferentes, eu realmente acho que são anjos na terra que foram colocados aqui para mostrar-nos o que é o amor. Por isso quando era miuda, tinha os gatos que iamos adotando da rua, mas sempre sonhei em ter um cao, quando tivesse uma casa só minha, eu sabia que um cão dava mais trabalho, mas também sabia que pelo menos para mim, ele iria dar mais alegrias, é aquela sintonia de alma que eu sempre soube que um dia existiria.

Uma vez vi um filme que explica que foram os cães que nos escolheram, e se isso for verdade só torna tudo mais triste, porque com certeza quando um lobo no estado mais puro se aproximou  de um ser humano pela primeira vez, jamais imaginou que a humanidade um dia fosse a pior ameaça para a vida dele.

O meu primeiro cão foi o Mickey, estava numa situaçao de abuso, so podia sair de casa até ao meio dia, era obrigada a trabalhar do meio dia as 2h da manha, sem pausas, nao podia frequentar ginasios, ter amigos, relacionamentos, a pessoa que abusou de mim controlava cada aspecto da minha vida, o que eu comia, o que eu bebia, a que horas eu saia, quando e que eu ia ao medico ou a mercearia, absolutamente tudo, e o Mickey foi o meu primeiro amigo que em meio a tantos traumas que passei teve a sorte de nunca passar por nenhum, passeava-o de manha, sentia o ar puro na pele por breves momentos e voltava para a minha reclusao sem saber que podia fugir, era como o elefante preso por uma estaca, a minha prisao tinha sido trabalhada na minha cabeça por anos a fio, eu simplesmente tinha medo, muito medo.

O Mickey continua comigo até hoje, tem 13 anos, está saudável e super vivaço.

Um dia, livrei-me dessa prisão, fugi, com o Mickey nos meus braços claro, quem me conhecesse minimamente tentaria atingir-me a fazer-lhe mal, e eu nunca me perdoaria se isso acontecesse, fugi e aguardei atrás de uma casa em ruinas que a policia aparecesse e decidisse o que iria fazer, devo te-lo magoado porque apertei-o com força, tive tanto medo que ele ladrasse que tive medo de o sufocar, mas ele nunca chorou ou ladrou, esperou comigo e recomeçou a minha vida comigo.

Nesse mesmo ano decidi adotar o Simba, eu não fazia a minima ideia da crueldade por trás da venda de animais, fui buscá-lo a uma petshop, deu-me pena ve-lo ali dentro de uma box á venda como se fosse uma coisa, foi um alivio retira-lo dali, dei-lhe treinos, a melhor comida, toda a atenção do mundo mas o Simba veio a ser um cão ansioso e agressivo, nunca comigo, mas muito protector comigo, ninguém podia chegar perto de mim e acho que de certa forma ele absorveu os traumas que eu tinha vivido e dos quais ainda estava a curar-me, fiz de tudo, gastei todo o dinheiro que podia até ficar sem nada, a Polícia quis ficar com ele e eu burra disse que não, ele tinha um porte que impunha respeito, era lindo, dos cães mais bonitos que já vi, quando o passeava toda a gente olhava para nós, um dia o Simba morreu, ironicamente foi atacado por outro cão, tinha feito tantos treinos de obediencia com ele que ele mal se tinha defendido, estava a ficar docil, tranquilo, quando tudo parecia estar a entrar nos eichos, ele morre, de um momento para o outro.

Passei semanas, acho que foram quase dois meses a chorar, mal consegui trabalhar a primeira semana e as pessoas nao ajudavam com o discurso de merda "é só um cão", na verdade isso enojáva-me e pensava para mim que daria a minha vida por ele e jamais o faria por alguém que tivesse conhecido naquele lugar. Como a minha dor nem se quer era compreendida, nao comia, limitava-me a chegar do trabalho, enfiar-me debaixo do duche e chorar até que os meus olhos ficassem inchados, até que eu ficasse cansada o suficiente para poder dormir, tinha engolido as minhas lagrimas pelo dia a fora e chegar a casa era poder sofrer sem ser criticada por estar a chorar por "apenas um cão", no dia seguinte não era nada que uma maquilhagem nao pudesse disfarçar, juntava-me aquelas pessoas vazias e fazia o meu trabalho, vazia por dentro.

Costumo dizer que foi com o Simba que as minhas lagrimas por fim secaram, eu nao era capaz de chorar a anos, e o Simba aconteceu-me ja a quase 10 anos, desde então aconteceram-me mil e uma coisas, a perda da luta pela minha mãe, o desaparecimento da minha irmã, amigos que me apunhalaram pelas costas, fracassos e recomeços, e nunca, nunca verti uma lágrima que fosse desde então, a dor existia, mas uma parte de mim tinha morrido quando o Simba morreu.

Um dia, estava a ir para o trabalho, e com os tostoes contados, cheia de problemas para resolver, deparo-me com 4 caes bebes a beira de uma estrada movimentada, carros que estacionam e ignoram-nos, eles choram desesperados, assustados, nitidamente, entro em panico e penso: o que e que eu vou fazer, daqui a pouco entro ao trabalho. Nao estava de carro, usava transportes nessa altura, a primeira coisa que vi foram os carros de compras e começo a recolher os caes porque em questao de segundos eles podiam ser atropelados, uma data de pessoas que com certeza deviam ter menos problemas que eu ignoram os pobres bichinhos (ironia), os meus problemas eram muitos, ainda estava a ser ameaçada pelo meu abusador, seguida, andava sempre com medo, o meu trabalho nao pagava as contas que acumulavam-se dia apos dia e vivia numa casa onde mal tinha espaço para levantar os braços e espreguiçar-me... Mas como dizia, coloquei os caes num carrinho  de compras, entro em panico porque o quarto bichinho foge para um descampado enorme e nunca mais lhe consegui meter a vista em cima, percorro 15 minutos a pé sobre a calçada com um carro de compras, a chorar compulsivamente, antes disso uma gaja que sai de um mercedes que os tinha acabado de ignorar diz-me "ah coitadinhos" apenas olhei para ela incredula e virei as costas. Chego a casa, peço ajuda ao Bruno, cedo-lhe a chave do pequeno anexo onde vivia e peço-lhe para comprar raçao, e taças, faço o video mais rapido que posso (na altura ainda usava facebook) onde estou literalmente um caco e desesperada, talvez tenha sido isso que tenha chamado a atençao das pessoas porque o video tornou-se viral.

Vou trabalhar a correr desesperada com um problema em maos porque se a minha senhoria descobre que eu tenho 3 caes em casa há a grande probabilidade de me pôr para fora porque convencê-la a aceitar que eu mudasse-me com o Mickey já tinha sido um problema gigante, não consigo deixar de pensar como podia estar o 4º da ninhada que não consegui apanhar a tempo, sozinho, no meio do mato, onde possa estar a mãe deles, provavelmente desesperada também, se é que viva. Instantaneamente as pessoas começam a abordar-me no trabalho a dizerem que viram o meu video, quando chego a casa na manhã seguinte contacto associações desesperada, sem ter dormido e de todas as vezes bato com a cara na porta, "estamos cheios, lamento, não podemos fazer nada", até que por fim passados uns 3 dias uma associação contacta-me e diz que andava atenta a essa ninhada a algum tempo e nunca os conseguiam apanhar, se não tivesse visto provavelmente não acreditava, mas eu própria não tinha conseguido resgatar um dos bebés e provavelmente só consegui resgatar os outros porque eles estavam nitidamente esfomeados, a associação começa a trabalhar para encontrar uma FAT porque finalmente alguém por fim entende que eu não tenho a menor das condições para ficar com os cães.

Passados alguns dias, por fim o senhor encontra uma FAT, veio recolhe-los em lágrimas, a dizer que tinha conseguido resgatar a mãe e o outro cão, desabafa e chora e diz-me que está cansado, e apesar de na altura eu ter 20 e poucos anos e ele ter idade de ser meu pai, eu revejo-me nas palavras dele e só quero dar-lhe um abraço, duas almas que se encontram no meio da tristeza.

Choro por uma semana de cansaço, dor e angústia, não dormia á uma semana, os cães eram muito bebés, tinham pouco mais de um mês, choravam muito, trabalhava como um cão e tinha a cabeça desfeita, felizmente os pequenitos foram rapidamente adotados, apenas uma familia compreendeu o meu apego e decidiu ir enviando fotos, as outras seguiram vida e decidiram ignorar-me, agitei os ombros e suspirei, eles estão bem, é o que importa...

A minha sogra que tinha e tem uma casa enorme, nunca foi capaz de ter um animal em casa, viu-me a dormir no meio das fezes de cão, sem tempo para dormir, sem tempo para respirar, numa luta para resolver a situaçao e assistiu a tudo sem dizer uma palavra, nessa altura eu ainda não sabia as barbaridades que ela tinha feito á pseudo-tentativa dela de gostar de animais, que tinha comprado uma cadela para um mes depois colocar num canil de abate (porque na altura isso ainda era permitido) e tudo porque a cadela nao tinha nascido ensinada a nao ladrar e a fazer as necessidades no sitio certo... Limitou-se a dizer-me que eu era boa pessoa, e eu sorria de cansaço, fazer o certo ás vezes é o mais duro mas pelo menos consigo deitar-me á noite de consciencia tranquila.

Entretanto ao longo destes anos, o meu coraçao foi gelando por cada animal que vi abandonado, morto, á beira de uma estrada, por um imbecil qualquer que estava com pressa e achou que chegar a horas ao trabalho era mais valido que salvar a vida que ele tinha acabado de colher, afinal "é só um cão"....  Um anjo com um coraçao maior qu a maioria das pessoas descartado ali como se fosse lixo, um ser inocente que viu o pior lado do ser humano, e porquê, para quê?...

E entretanto á quase 3 semanas foi o Thor, e o Thor foi o que por fim destruiu-me, de todas as vezes que resgatei animais o Thor foi aquele que sempre soube que seria o meu cão, um dia pela manhã, decidi ir fazer uma surpresa ao Bruno e comprar um pequeno almoço diferente, e o Thor literalmente sai de debaixo de um carro á beira de uma estrada movimentada, quase sem voz, a chorar e a olhar-me nos olhos, passados tantos anos o Thor fez-me perceber que afinal as minhas lagrimas nao secaram, porque mal começo a escrever isto começo a chorar, outra vez. Nitidamente fraco, esfomeado, cheio de sede, a primeira coisa que faço e perguntar nas bombas e no supermercado perto de mim se alguem tinha perdido um cao, se alguem sabia de alguma coisa, ele dormia nos meus braços, assim que peguei nele ao colo ele adormeceu.

Monto um espaço para ele longe dos meus cães porque sei que vai ser complicado sobretudo porque o Mickey já é sénior lidar com um cão que tem pouco mais que dois meses e que vai ser nitidamente enorme, compramos-lhe comida, damos-lhe agua, ele farta-se de comer e beber e adormece por horas a fio, nitidamente exausto.

Dias depois fico a saber, por uma senhora que a algumas semanas atras fazia segurança num supermercado e tinha sido agredida por ciganos por te-los apanhado a roubar, que o Thor pertencia a essa mesma familia, e que eles tinham se desfeito de toda uma ninhada, obviamente que aí fiz questão de nao sair com o Thor para a rua para lugar nenhum, pois eles podiam ate agredir-me mas posso garantir que nao voltavam a ter o Thor,  para o voltar a matratar. E sim, voltar é o termo certo,  porque o Thor assim que abriu os olhos na manhã seguinte, assim que eu levanto as mãos para fazer-lhe festinhas e falar um pouco com ele, assusta-se e começa a ganir, fiquei com a ligeira sensação que ele pensou que eu ia-lhe bater, mas ele ainda ia descobrir que isso é algo que jamais alguma vez nesta vida eu seria capaz de fazer.

Descubro que está cheio de carraças, pulgas, feridas, como ainda nao lhe podiamos dar banho passo com umas toalhitas que nunca tinha usado para os meus cães e começo a retirar carraça por carraça, uma associaçao por fim responde aos meus apelos, com eles como intermediarios levamos o Thor ao veterinario, ele esta saudavel, dao-lhe um anti parasitario para tirar as carraças e tirar parasitas internos que ele possa ter, e começamos a saga de procurar um lar para o Thor sabendo que quanto mais tempo eu ficasse com ele mais despedaçado o meu coraçao ia ficar. Felizmente o Bruno como trabalha com redes sociais e é totalmente o oposto doque eu sou, conhece imensa gente e começa a receber imensas respostas, a associaçao começa a ter uma postura suspeita e começa a sugerir que deixemos o Thor no abrigo deles, acabamos por descobrir que o abrigo onde o Thor iria temporariamente era uma prisao onde ele mal ia poder andar e brincar, e tambem que a associaçao nao esta a fazer o minimo esforço para responder as pessoas que querem ficar com o Thor, percebemos que a eutanasia é algo que recorrem pela calada e que é uma daquelas tais associaçoes de fachada que é por tudo menos pelo bem estar animal, o triste de tudo isto é que o Bruno já tinha feito voluntariado para eles, e nós já tinhamos feito umas quantas doações...

Fazemos nós o nosso próprio termo de adoção e então de repente, dar o Thor, senti-lo desvanecer-se nos meus braços foi a pior sensaçao que tive em anos, obviamente que apesar de tudo mais uma vez com a tremenda sorte que eu tenho, as pessoas nao nos enviam fotos, nao querem saber da dor dos outros, portanto, tenho aprendido a lidar com o meu mundo desfeito aos poucos, curando a dor entre lagrimas, com o cheiro dele ainda entranhado nos peluches e nos ossinhos que el deixou por aqui, resta-me rezar para que ele seja amado, porque de resto, estou cansada...

No meio de tantas historias tristes, esqueci-me de vos contar a historia da minha princesa, a Khaleesi, acho que todos temos o cão das nossas vidas e a Khaleesi, é a minha cadela, ela acompanha-me para todo o lado e entristece comigo, anda triste e custa-me, ve-me todos os dias a chorar e aninha-se no meu colo para comfortar-me, a Khaleesi ensinou-me que os rafeiros são os cães mais especiais do mundo, o Thor também é rafeiro, mas foi a Khaleesi que me ensinou que não preciso de ter cães de raça, que também eu sou uma espécie de rafeira nesta sociedade virada ao contrário, ela também foi resgatada de uma situaçao má. O engraçado é que pela altura em que ela foi adotada eu nao queria mais nenhum cão, o Bruno conseguiu convencer-me, ele queria ter aquela experiencia de ter um cao dele desde bebé, quando ele conheceu-me o Mickey já tinha 3 anos. Decidimos então que tinha que ser uma fémea, para fazer companhia ao Mickey e para que eles se dessem bem, a Khaleesi foi abandonada juntamente com a mãe e os irmãos por outra familia de ciganos, ela tinha 3 semanas quando foi resgatada, a mãe estava desnutrida e já não tinha leite, tiveram que fazer biberão todos os bebés e a mãe cheia de nós, bichos e nitidamente traumatizada... Fomos até á associaçao e devo já dizer que não acho que um termo de adoçao e as perguntas que nos fizeram tenham sido exageradas, numa sociedade doente como a que temos, todos os cuidados que tivermos sao poucos, e mesmo assim nunca há certezas, foi assim que fizemos com o Thor também.

Na altura em que a adotei eu já tinha mais condiçoes, viver com o Bruno e partilhar despesas com ele ajudava, tinha um trabalho fixo que estava longe de me fazer ter uma vida super comfortavel mas estava bem, fomos então á associaçao em Braga, fizeram-nos todas as perguntas, ainda nao sabiamos que queriamos a Khaleesi, uma das voluntarias aparece-nos com toda uma ninhada nos braços e deparei-me com o acto cruel da vida de ter que escolher, uma parte de mim dizia, fica com a mae, ninguem a vai querer, mas o Bruno queria uma bebé e por incrivel que pareça mal a voluntaria chegou a nossa frente com a ninhada nos nossos braços todos os outros cães nos ignoraram e a Khaleesi pulou para os meus braços e começou a lamber-me, eu e o Bruno olhamos um para o outro e concluimos que tinhamos acabado de ser escolhidos.

Na altura viviamos no interior, assinamos o termo para ficarmos com ela mas como tinhamos ainda uma viagem para fazer ao Porto pedimos que a associaçao ficasse com ela por uma semana ate voltarmos de ferias, voltamos e fizemos a loucura de ainda fazer uma especie de voluntariado e ir entregar um cao bebe a nova familia dele, que ficava no Porto, ou seja, peguei na Khaleesi ao colo que voltou a lamber-me, que segurava nos meus ombros com as unhas com todas as forças como quem dizia: por favor nunca mais me deixes, e fiz a viagem toda com ela no banco de trás e com o cãozinho pronto tambem para começar uma nova vida. Eu tremia, ainda contrariada mas ja com o coraçao desfeito em 4, pensava para mim que nao estava disposta a sofrer outra vez mas ja estava feito, eu ja a tinha nos meus braços.

Gravamos todos os momentos dela, fizemos fotografias, videos, porque sabiamos que tudo o que é bom nesta vida geralmente dura pouco, curamos os traumas dela, alguns, outros ficaram, e mostramos-lhe que era possivel ser amada e feliz, e até hoje ela esta conosco, feliz.

A Khaleesi é aquele ser especial que cuidou do Thor mal ele chegou a casa, parece que o instinto materno dela activou-se em segundos e de repente ela percebeu que aquele ser fragil e traumatizado tinha sido ela a alguns anos, quando a avo do Bruno morreu, a Khaleesi uivou e aninhou-se a ele enquanto ele chorava, e todos os dias enquanto trabalho, ela aninha-se nos meus pés, e nunca um unico cliente se quer percebeu que ela estava ali.

Um dia eu vou morrer, um dia nenhum de nós estará aqui, e não penso muito nisso até porque quero que os meus pequenos sejam felizes por muitos mais anos, mas no dia em que deixar de os ter não quero mais cão nenhum, quero guardar as memorias dos melhores amigos que tive nesta vida, dentro de mim, tendo a certeza que sao a coisa mais preciosa do mundo, num mundo que nao esta preparado para eles, porque eles sao demasiado nobres para um ser humano que faz tudo menos amar.

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