Levar o que não é bom
Ontem liguei á minha mãe, e já que aqui é o lugar onde eu desabafo tudo o que me vai na alma, ontem, de entre milhares de vezes, desejei que ele morresse, sabendo que no fundo, bem no fundo do meu coração ele seria daquelas pessoas que não fariam absolutamente falta nenhuma para a humanidade, mas eu explico.
Ontem estava a falar com a minha mãe, e ela anda abatida, tem fases, eu sei que as minhas chamadas fazem-lhe bem, por tudo o que passámos juntas, eu sei que eu sou aquela filha, a tal, e talvez eu tenha o direito a dizer isto quando a minha irmã borrifou-se completamente para a saúde e vida da minha mãe quando em um dia prometia reunir-se comigo para debater uma forma de a tirar dali e no outro mudou de ideias e decidiu que isso dava muito trabalho, fiquei sozinha outra vez, mas não desisti. Ontem, ela estava abatida, a minha mãe não é uma pessoa saudável, está doente, cansada e deprimida, enquanto a animava e a fazia rir um pouco a voz dela foi melhorando, até ao momento em que o anormal do meu "padrasto" chama-a a ir fazer o lanche porque o gajo é aleijado (ironia).
Rapidamente a minha mãe começa-se a despedir de mim e prepara-se para mais um dia de longos 63 anos a servir palermas a quem o mais comum mortal chama de homem, um de entre outros milhares que veio com promessas e falas mansas, que prometeu ser diferente de todos os outros mas que tratou a mulher que eu mais admiro em toda a minha vida como uma escrava, como uma utilidade.
Á anos que tento tirar a minha mãe dali, e ela não quer, ás vezes quer mas rapidamente muda de ideias, ás vezes desabafa, mas em todas essas vezes eu peço do fundo da minha alma que se deus existe que o leve e que a deixe ser feliz.
