Mente ocupada
Pratiquei exercício, trabalhei, faltam-me alinhavar meia dúzia de coisas para hoje mas está tudo relativamente tranquilo, engraçado que o exercício tem um quê de masoquismo que me soube bem, e ali, enquanto todo o meu corpo gritava por estímulos diferentes, pela primeira vez de á muito tempo, não pensei em nada, quando acabei, suada, por fim surgiu aquela vontade esmagadora de começar a chorar, fechei os olhos, respirei fundo e pensei: ok e a seguir?
E é isso que tem sido os meus dias ultimamente, uma fuga á dor, uma tentativa de pelo menos ter orgulho de mim, a sensação de tarefa cumprida, vou-me movendo entre a dor, esgueirando-me dela, mas ela está lá.
Ontem falei com a minha mãe, ela sabe que fiquei magoada por ela não vir passar cá uns dias, eu sei o que é, o anormal que já não tenho idade para chamar de padrasto tem medo que ela cá fique, o que ele não sabe é que eu já desisti, são 37 anos a lutar para que a minha mãe saia desse ciclo, e eu simplesmente desisti dos outros para poder insistir em mim.
Daqui a dois dias ela faz anos, e não vou saber como parabenizá-la, "parabéns mãe, por nunca teres parado para me ouvir um dia que fosse", "parabéns por teres sempre escolhido homens acima dos teus filhos", isto não sou eu a culpar a minha mãe, eu não sinto qualquer rancor pela minha mãe, mas ela tem destruído cada vez mais a própria vida e eu já tantas vezes quase deixei-me enrolar na mesma teia.
Tentei falar com a minha irmã pois não sou capaz de sustentar a nossa mãe sozinha, mas a minha irmã que já vai nos seus sábios 32 anos, só está bem a pedir dinheiro á minha mãe e tudo o que tenha relação com ela ter alguma empatia e generosidade é pura ilusão.
Vou-me mantendo ocupada entre devaneios e esperar que um dia destes aconteça algo de bom
