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Contra a maré

O blogue de alguém que se cansou de lutar contra quem é, de alguém que depois cansou-se de lutar contra o mundo e que agora apenas deambula num mundo imperfeito á procura de respostas

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Contra a maré

20
Ago25

O estigma com a líbido feminina

Carina Martins

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Há não sei quantos anos, um gajo machista ao quadrado decidiu inventar que as mulheres tinham menos libido do que os homens, e colou, colou porque provavelmente quando esse boato foi lançado ao acaso as mulheres tinham de obedecer aos homens, levar porrada era normal, contraceptivos eram obra do diabo e empregadas a dias para quê, mais valia casar. Obviamente que colou até com as próprias mulheres porque que mulher quer ter relações sexuais nessas condições? Mas aos homens colou porque dava jeito, primeiro, porque elas não podiam dizer que não, depois porque assim eles tinham uma desculpa, não que precisassem dela, para traí-las sem consequências para nada.

Entretanto as coisas mudaram, mas num Portugal pequenino a grande maioria das mulheres ainda são, e muito, submissas; dentro da maioria das casas, são elas que cuidam de tudo, cozinhar, limpar, cuidar dos filhos, ainda trabalham para além de tudo isso porque os homens, coitados, são uns aleijados, ou então vêm com a desculpa dos trabalhos braçais e de força. Bem, eu nunca vi uma mulher usar-se do “pequeno” pormenor da gestação e do parto para aproveitar-se e ficar no sofá a ver a bola, porque isso seria claramente aquilo que um homem faria. Aos neandertais do século XXI dá-lhes jeito falar dos trabalhos braçais, da força requerida; se forem a reparar, a maior parte, ironicamente, não tem fôlego para subir um vão de escadas sem ficar exausta, tem um perímetro abdominal maior do que o de uma grávida graças à diária cervejinha, são os mesmos que mandam bitaites nos jogos de futebol sem nunca terem encostado o pé numa bola, ou cujo exercício físico mais extenso que fizeram foi empurrar o carro quando ele avariou. Dito isto, haja libido que sobreviva a um ambiente de terror destes.

Claro que lhes continua a dar jeito dizer que as mulheres têm menos libido; na maioria das famílias de “bem” e com uma grande reputação, os machos alfa (sarcasmo) fazem uma chamadinha 5 minutos antes de terminar o trabalho para darem um pulo ao motel mais próximo, pagam 200 ou 300 euros por uma hora, apesar de terminarem o serviço em 5 minutos, e vão para casa a dizer: “desculpa lá, Maria, trânsito, já sabes, agosto”. A “Maria” muito provavelmente sabe, mas até compreende que alguém cobre 300 euros ao “Zé”, já que nem ela tem vontade de lhe meter as mãos.

A “Maria” caiu no velho conto: estudar, namorar, casar, trabalhar e ter filhos; na família dela não se falava de sexualidade e ficou chocada quando uma amiga lhe disse que se masturbava. Respondeu com um: “Eu? Ai, eu não preciso cá dessas coisas.” A amiga riu-se, abanou a cabeça e seguiu, e a Maria respeitou as regras sociais, que são sempre mais impositoras para mulheres do que para homens.

A questão, aqui, agora fora de sarcasmos, é que, para a mulher explorar a própria sexualidade, até para os dias de hoje, é precisa uma certa dose de rebeldia, porque rótulos de “putas” até as Marias desta vida têm, basta respirar, mas nós, aquelas que decidiram ser livres e não seguir padrões, nós somos as loucas, as tresloucadas, para variar, claro. Tal como acontecia há 200 anos, um orgasmo feminino é comparado à histeria, e o primeiro vibrador não surgiu porque algum homem nos quis fazer feliz, mas sim porque ele o viu como a cura para a dita “histeria”.

Histeria é um termo usado muito frequentemente por homens e às vezes pelas próprias “mulheres”, aquelas que são contra o nosso próprio progresso, para descrever as nossas emoções, porque, claro, sentir é algo que é inerente às mulheres e, quando demonstramos que sentimos, estamos a ser “mulherzinhas”. Exemplos? Reparem num jogo de futebol (btw, detesto futebol, mas acho que é uma excelente maneira de reunir energúmenos e fazer-lhes um teste de QI): homens aos berros, aos uivos, a vaiar, com cervejas na mão, frustrados, alguns até choram, outros festejam aos pulos; tudo muito bonito e ninguém critica. Agora substituam a bancada e coloquem público feminino num concerto, exatamente com o mesmo tipo de comportamento. Já sabem o que vão dizer sobre isso, certo? “Olhem-me para aquela cambada de histéricas aos pulos, não têm uma loiça para lavar?”

Triste, certo?

Mas reparem nisto: enquanto as coisas estão longe de estar evoluídas, como tanto se diz, por outro lado têm surgido mulheres na nossa sociedade que há muito perceberam que serem felizes era mais importante e seguiram essa máxima, rejeitando imposições sociais, enquanto “homens” com H pequeno, do alto dos seus narizes, continuam a não querer ou a esforçar-se minimamente para satisfazer as mulheres, julgando que elas não precisam de ser satisfeitas. Esquecem-se de que todos os estigmas sociais têm um preço a pagar, e por isso, de facto, as estatísticas mostram que as mulheres traem cada vez mais!

Não consigo deixar de me rir pela ironia que isto carrega: ora, a soberba da ala masculina (não generalizando) é tanta que acham que as mulheres não traem porque não têm vontade; os programas de incentivo à natalidade continuam a distorcer as coisas e a tentar aparentar que as mulheres só fazem sexo por questões meramente de procriação (excitante… só que não); tudo o resto é pecado, mas silêncio, só para as mulheres.

Era preciso fazer um estudo social, porque estas aves raras que criam leis, que regulamentam x, mudam aqui e permanecem acolá, ou seja, o governo, esquece-se de que o fruto proibido é o mais apetecido; pelo menos é assim que se rege o desejo. Não podemos controlar as nossas vontades, desejos, não podemos controlar pensamentos vagos que nos surjam pela cabeça; podemos controlar o que fazemos com eles. O problema é que já não queremos controlar esses desejos, até porque era só o que faltava; os homens nunca o fizeram, porque é que nós haveríamos de o fazer?

Retiram a educação sexual das escolas — irónico. Quando eu tinha 13 anos, há muitos anos, mais precisamente há 24 anos, tive educação sexual, formação cívica e, de toda a inutilidade que é o nosso ensino, foram das poucas aulas úteis que tive; fizeram-me compreender muitas coisas. Não fiquei uma miúda depravada, perdi a virgindade com 22 anos, dei o meu primeiro beijo pouco antes disso; sim, de facto, tocava-me todos os dias (detesto a palavra masturbar, parece que só está associada aos homens), em segredo. Tive poucas amigas para falar sobre o assunto, mas sabia bem falar abertamente sobre o prazer feminino, sempre soube que tinha bastante libido, mas, para minha surpresa, muitas amigas minhas também. Mas, como dizia, é irónico retirarem a educação sexual das escolas, sobretudo quando as miúdas estão tão desenvolvidas aos 13 hoje em dia, algumas até parecem maiores de idade; quando sabemos que os miúdos começam a atividade sexual mais cedo e que a infância deles não foi nem nunca mais será, infelizmente, como foi a nossa: uma verdadeira infância e não uma entrada precoce na idade adulta. E os pais, ainda assim, querem retirar a educação sexual? Resta-me rir; nem me vou alongar muito nesse assunto, vou ficar à espera das consequências do facto de os portugueses serem todos uns púdicos daqui a uns 5 anos; acho que é tempo suficiente para voltarmos a falar deste assunto e comprarmos bilhetes para o circo.

Eu dizia que o fruto proibido é o mais apetecido, certo?

Ora, tirem o cavalinho da chuva, porque as mulheres traem, e muito, e cada vez mais; as mulheres são mais discretas, pensam mais com a massa encefálica e depois deixam o desejo comandar. E não é porque tenham menos desejo, sabem? É porque são inteligentes, porque percebem cada vez mais o seu potencial, a independência e os estigmas que lhes quiseram colocar forçosamente na cabeça. Relógio biológico, menos libido, instinto materno — desculpem-me, mas isso são tudo conversas de chacha inventadas por barrigudos de cerveja na mão, no seu sofá quentinho; é que uma mulher que acredite que tem opções dá muito trabalho, é preciso conquistar!

07
Ago25

A beleza

Carina Martins

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A beleza, a estética, sempre foi algo com muita influência na minha vida.

Em Angola, era a menina bonita de olhos claros e pele bronzeada, cheguei a Portugal e no meu bairro fiz logo imensos amigos, toda a gente dizia que era uma maria rapaz com o rosto de um anjo, a minha mãe sempre fez questão que eu tivesse os cabelos longos e eu arranjava sempre maneira que ele não me atrapalhasse com uma longa trança. Passava tanto tempo na rua que as pontas ficavam douradas, isso agora está na moda, na escola serviam-me isso e mais coisas para o bullying.

Enquanto na rua era a menina bonita do bairro, na escola era a miúda pobre que não tinha dinheiro para roupas ou sapatilhas de marca, por isso começaram a chamar-me de tudo, palito, piolhosa, juba de leão, tudo muito engraçado pensam vocês mas era uma escola violenta e as ofensas verbais vinham sempre com as ameaças físicas que eram reais. Havia uma ambulância dia sim dia não naquela escola, mais para os rapazes, ás raparigas os bullys limitavam-se a dar uns pontapés ou puxar os cabelos e deixá-las estar. Detesto quando as gerações anteriores á minha ou muitas vezes até a minha geração (tenho 37 anos) fala do bullying com desdém "no meu tempo isso nem se chamava bullying" dizem pessoas cheias de anos ás costas mas com pouca sabedoria para verbalizar opiniões ocas, e de facto, nessa altura não se usava o termo bullying, mas isso era real e quase levou-me a acabar com a minha vida.

A única amiga que tive nessa altura chamava-se Ana, a Ana estava num processo complicado da vida dela, uma miúda com 13 anos violada pelo padrasto, a mãe obviamente separou-se do anormal e ficou só com a miúda e estava com imensas dificuldades, eu e a Ana andávamos sempre juntas, ela acabou por contar-me, a mãe ía buscá-la á escola e parecia muito feliz que a filha tivesse por fim uma amiga, até ao dia em que um grupo de miúdos encostou-me contra uma parede e começaram a bater-me para eu contar coisas sobre a miúda nova, eu não contei absolutamente nada, aqueles aprendizes de rufias não sabiam que eu levava porrada todos os dias de alguém bem mais assustador que eles. Infelizmente alguém de alguma forma ficou a saber e depois espalhou-se o boato de que tinha sido eu, maldade, e a Ana infelizmente não acreditou em mim e semanas depois estava a mudar de escola porque meia dúzia de pirralhos sem educação em casa resolveram que era muito engraçado uma miúda ter sido violada pelo padrasto, eles diziam que ela era mentirosa e demasiado feia para que alguém quisesse tocar nela.

Não condeno a Ana, ela tinha uma maturidade enorme para a idade mas também já sabia que as pessoas não eram confiáveis, fiquei triste e segui sozinha pela saga do bullying.

Uma cambada de miúdos que desde cedo foram ensinados a entrar no mundo do crime ameaçavam-me que iriam apanhar-me no caminho para casa e violar-me, eu era demasiado feia para tudo mas pelos vistos não para ser violada, o caminho para casa eram 20 minutos a pé mas passaram a ser 40 porque já não podia ir pelo atalho que ía antes, nunca senti-me feia, nunca o bullying afectou-me ao ponto de eu achar que eu era tudo aquilo que eles diziam, mas afectou a minha vida na medida em que andava sempre com medo, triste e desmotivada para ser uma adolescente normal e ter uma vida normal como envolver-me em actividades de grupo, fazer amigos, andar em zonas comuns nos intervalos...

Eu já sabia por essa altura que a beleza era muito subjectiva, mas aos meus olhos eu era bonita, eu adorava o facto de poder comer tudo e não engordar, eu adorava a minha cintura fina, o meu rosto, o meu cabelo, eu sentia-me bem na minha pele, eu só não me sentia bem no mundo. Nunca fui uma pessoa influenciável e talvez seja por isso que as palavras deles não tenham tido grande efeito na forma como eu me via, mas sim na forma como eu me comportava.

Imaginem o que é para uma miúda com pouco mais que 13 anos que foi violada aos 9 e que tinha acabado de descobrir que o que tinha acontecido não estava certo, passar diariamente pela dicotomia de ser humilhada, ameaçada e desprezada e ao mesmo tempo assediada, isso sim fazia-me confusão, se eu era tão desprezível porque é que não me deixavam em paz? Atacada muitas vezes com apalpões no refeitório da escola, a apropriação do corpo feminino a começar conosco mulheres desde cedo sem que muitas de nós se quer nos apercebamos disso, como se o nosso corpo lhes pertencesse, para humilhar, desprezar e usar também a seu bel prazer, isso provocava-me nojo, raiva, revolta, mas facilmente podia ser um desses miúdos que acabariam numa ambulância se respondesse. Mas muitas vezes respondi, confrontava-os exactamente com isso, comecei a ser sarcástica: "o que se passa na tua cabeça? Odeias-me, mas tens que me tocar?" os outros miudos prontamente começavam a rir-se  e a dizer "éh, a juba de leão gozou contigo" e rapidamente aconteciam então as ameaças, ás vezes a violência, mas eu nunca fugia, eu ficava ali, a encarar os mesmos anormais que anos depois faziam-me um pedido de desculpas oco e com interesse em nada mais do que sexo... É engraçado como meia dúzia de trocos no bolso, um trabalho e independência de repente nos tornam mais "bonitas".

Quando cheguei á vida adulta pensei que o bullying iria acabar, mas o bullying na vida adulta é mais hipócrita, mais dissimulado, mais politicamente correcto, o meu primeiro emprego a sério foi na Zara, explicaram-me que tinha que andar maquiada e foi nessa altura que aprendi a maquiar-me, antes disso só tinha trabalhado onde conseguia, atl's de férias, trabalhos muito mal pagos porque éramos menores. Começando na Zara e começando a entender o que era o atendimento ao público, nunca mais me arranjaram trabalho em o que quer que fosse diferente, eu queria fugir do atendimento ao publico, trabalhar num escritório, varrer ruas, fazer limpezas, eu nunca liguei a aparências, cortava as unhas, tirava a maquiagem e ía ás entrevistas: " a menina é muito bonita e demasiado qualificada para estar num trabalho destes" e eu pensava, claro, sou demasiado bonita para ter um trabalho decente e digno, tenho é que ser assediada todos os dias por clientes e ser desrespeitada pela minha chefe que quer que eu venda um rim ou levante a tshirt para conseguir fazer vendas!

Eu fui mais feliz a cuidar de crianças com necessidades especiais do que a atender qualquer snob arrogante que quisesse gastar muito dinheiro num par de calças, mas as pessoas não entendem mesmo que a beleza ás vezes é um grande entrave para sermos felizes.

A vida toda ou fui assediada ou desprezada, tive dificuldades no trabalho por ninguém ouvir o que eu dizia mas consegui destacar-me várias vezes, por mérito próprio, claro que haviam bocas de fundo que diziam que não era por mérito, o que só me entristecia pois se já tinha a vida complicada por visões distorcidas pela sociopatia social ainda tinha que lidar com a língua amarga das pessoas a retirarem todo o mérito das minhas batalhas.

Houveram alturas em que só queria um amigo, e alguém explique a neandertais que as amizades existem, tive um amigo, o Igor, ninguém acreditava que éramos amigos, mas por essa altura já tinha aprendido a ligar o botão do foda-se, a nossa amizade fazia-me bem, eu não era meramente uma cara bonita para o Igor, ele foi a primeira pessoa que leu de facto o blogue que tinha na altura, ele lia tudo e as nossas conversas no café depois de sairmos dos nossos trabalhos eram muitas vezes sobre isso, nessa altura ele dava-me motivação para continuar a escrever porque o entusiasmo com que ele falava de cada texto meu faziam-me sentir especial. 

O erro das pessoas está aí, pensarem que pessoas bonitas ou atraentes estão sempre á espera da validação dos outros, que tudo na vida delas é mais fácil e superficial, quando todos somos apenas seres humanos e queremos ser vistos.

Sabem, na altura que conheci o Bruno eu já tinha desistido de relacionamentos, tinha aceito que ía ficar solteira até ao fim dos meus dias mas estava tudo bem, eu tinha feito a minha paz com isso, eu tinha auto cuidado, auto estima e isso bastava-me, nunca precisei de muitos amigos, tinha a Isabel, e chegava-me. O Bruno conseguiu chegar até mim porque não foi apressado e notou-se que não vinha com malícia, não era um desses anormais convencidos que são engatatões de primeira cheios de ego, veio humilde, bem disposto, as piadas secas e ingénuas faziam-me rir, não me ofereceu mundos e fundos, não me pressionou nem veio com conversas cliché. Eu que já tinha os pés no chão e mesmo depois de o conhecer não fazia questão de uma relação disse-lhe que tinha um passado e que as coisas comigo tinham que ir com muita calma e sem pressões, e para os dias de hoje de facto as coisas foram indo bastante devagar, ele beijou-me apenas passados dois meses, mas mesmo depois desse beijo eu disse-lhe: eu sou uma pessoa complicada, sabes que eu não estou apaixonada por ti, gosto de ti e por isso estou disposta a tentar.

O mal de todos os relacionamentos é as pessoas acreditarem que uma vida em conjunto tem que ser construida em cima de uma paixoneta fugaz, eu nessa altura já tinha percebido que a minha mente cheia de traumas só se apaixonava fugazmente por imbecis, e por isso tinha aprendido a pensar mais com a cabeça, eu não andava a perder noites a sonhar com o Bruno ou a suspirar pelos cantos, mas vi um companheiro de uma vida á minha frente e não me queria arrepender por não lhe ter dado essa oportunidade. Uns meses depois nem sei quando me apercebi, lembro-me que foi numa ocasião banal, um jantar, um café, qualquer coisa banal e rotineira, recordo-me de olhar para o Bruno e perceber que amava-o e que já não via a minha vida sem ele, olhei para ele e sorri, e aqui estamos até hoje, 10 anos depois.

Costumo dizer ao Bruno que se um dia terminarmos nunca terei mais ninguém porque de facto foi no minímo uma sorte gigante que nós nos tenhamos cruzado, eu sei que não sou uma pessoa fácil, e digo-o de verdade, se algum dia as coisas acabarem não quero mais ninguém, e vocês pensam assim, uma mulher que se diz bonita e é relativamente nova dizer uma coisa destas? Já entendi á muito tempo que não preciso de relacionamentos para ser feliz, que o Bruno faz-me bem não tenho dúvidas nenhumas, mas são poucas as pessoas neste mundo que agregam em vez de retirar mais um pedaço de nós.

Mas a beleza como estava a comentar, é um entrave para tantas coisas, tantas, perdi a conta das vezes em que me faltaram ao respeito no meu posto de trabalho, numa sapataria cheguei a ter um empresário a convidar-me para ir viajar com ele por um mês, um anormal com uma aliança no dedo, dizia-me que ia pagar-me bem, prometeu-me mundos e fundos, nessa altura apenas fazia um sorriso forçado e mostrava a conta porque facilmente um pervertido que acha que qualquer mulher numa função pública está á venda se torna num anormal que decide humilhar-nos e fazer perder o trabalho por levar uma tampa.

Eu nunca mais pararia de escrever se fosse para relatar todas as situações que já vivi por causa da minha aparência, se por um lado o que penso não conta, por outro toda a gente acha que pode odiar-me ou assediar-me, mulheres no shopping que me olham com desprezo, homens que sussurram baixinho coisas absolutamente nojentas e adivinhem, eu não uso decotes, mini saias, calções, ando sempre com as minhas jeans e uma tshirt, oiço vezes sem conta que nós é que nos pômos a jeito, bem, eu deixei de me "pôr a jeito", hoje em dia faço as compras toda online, só saio de casa para o que é necessário, prefiro estar na natureza do que num lugar lotado de gente, os animais não olham para mim pelo tamanho do meu peito ou cor dos meus olhos, eles olham para a minha alma como nunca um ser humano foi capaz de fazer.

 

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